Sunday, 23 August 2009

A abstenção - Porque é que o eleitor não vota? E porque é que apaecem votos de mortos na contagem final?

Há cerca de uma semana postei sobre o voto electrónico, e sobre o voto de proximidade, defendendo que onde quer que eu estivesse poderia votar na escola mais próxima apresentando o meu cartão de eleitor e dando baixa no sistema informático do meu voto, para que não pudesse votar outra vez.
Mas é apenas uma ideia. De que forma pensam vocês que poderíamos reduzir as taxas de abstenção, isto naturalmente já excluindo aqueles que contra sistema nem que lhes levassem o voto a casa votariam.
Qual é a vossa opinião?

2 comments:

  1. Antes de mais bom dia José Eduardo e obrigado pelo convite para participar neste debate de ideias.
    O tema da abstenção deve ser abordado de duas perspectivas a meu ver: a dos que se interessem pelo sistema político que os governa e a dos que simplesmente se estão a marimbar. Começando pelos segundos, que são mais fáceis de analisar, estamos perante o típico cidadão que, tenha ou não já algures na sua vida confiado nos políticos, acabou algures por adoptar uma atitude passiva de laissez faire, laissez aller, laissez passez. Para estas pessoas, a política é toda igual e trocar uma ida à praia, um bela "sentada" na poltrona ou uma longa dormida por uma dia às urnas seria um enorme desperdício de tempo. A imagem é semelhante à do empregado que não tem qualquer opinião sobre o patrão, o importante é que este lhe assine os cheques ao final do mês.Quanto a este grupo de portugueses, é minha opinião que nada a fazer quanto à abstenção do ponto de vista sancionatório - não faz sentido obrigar alguém a votar se essa mesma pessoa se exclui da cidadania activa. Simplesmente não se venham depois queixar... Quem não participa, não opina.
    Muito mais preocupante é a situação dos que, como eu, nutrindo o maior interesse pelo sistema política, começam a pensar em não votar porque não acreditam no regime vigente. Consciente de que esta afirmação levantará (pelo menos) alguns rasgos de indignição por parte de outros leitores do blog, em homenagem à sinceridade não posso deixar de a fazer: já por mais de uma vez pensei em não votar porque simplesmente deixei de acreditar na democracia portuguesa. Muito se diz das ditaduras, sejam elas de esquerda ou de direita, que são "más". É algo que me suscita apreensão. É que a democracia em portugal, com os seus fracassos, com a sua corrupção, com a sua quebra de valores, com o seu "vale tudo", é igualmente má. Porém, enquanto que numa ditadura é mais fácil identificar a cara do mal, numa democracia os maus escondem-se atrás de sorrisos falsos, palavras moderadas e lacunas da lei. Eu pergunto: qual dos males é mais assustador?
    Fica, em conclusão, uma ideia: quando é que uma taxa de abstenção será suficientemente baixa ao ponto de demonstrar o abandono tácito, pelos portugueses, do sistema político vigente?

    Um grande abraço ao autor do post e continuação de boas participações.

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  2. Muito interessante.

    Desconfio que para os que lá estão 6 milhões de portugueses que se abstiveram nas europeias ainda é uma taxa relativamente baixa.

    Mais uma vez, pede-se atitude.

    Se nada fizermos, nada acontece.

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