Monday, 17 August 2009

Um duplo problema - O fim da Indústria

Foi recentemente publicado um estudo pelo economista Eugénio Rosa onde se demonstram alguns dados da evolução do emprego nos últimos anos. Realço um dado que a todos nos deve merecer preocupação:

No período compreendido entre o 2º Trimestre de 2008 e o 2ª Trimestre de 2009, portanto num ano apenas, o número de postos de trabalho ocupados por trabalhadores com o ensino básico ou menos diminuiu em 234,9 mil (276,6 mil se se considerar o período 2005/2009 de Sócrates), o que inevitavelmente determinou que uma parte significativa destes trabalhadores (os que não se reformaram ou não conseguiram encontrar emprego, mesmo de pior qualidade e mais mal pago do que aquele que tinham), caíram na situação de desemprego. È evidente que estes trabalhadores terão muitas dificuldades em arranjar novo emprego, e se não receberem subsídio de desemprego cairão certamente na situação de miséria (35% já viviam abaixo do limiar da pobreza em 2008- INE ).

Como viveram estas pessoas daqui em diante? O que poderão fazer pela nossa sociedade?
O grave problema deste efeito directo no desemprego, que chamarei cada vez mais de “estrutural”, e nunca como diz o governo de “conjuntural”, é que em tão poucos anos, o tecido industrial caia a pique sem que se vejam apostas sérias em o revitalizar.
Não se pense que um país sem indústria é viável, e muito menos que será um país rico, o que deveria ser o objectivo de todos nós.

Não venha quem não sabe com o nome de Keynes, dizendo que se deve apostar no investimento público, quando o sistema que este mestre desenvolveu era para economias fechadas onde o dinheiro investido circulava em circuito fechado sendo aplicado na compra de produtos nacionais, assim como se podia à sua época desvalorizar a moeda para impulsionar as exportações. Hoje, não se pense que Jean Claude Trichet alinharia em tal esquema.

3 comments:

  1. Infelizmente esta crise não é uma crise financeira, nem mesmo só uma crise económica, é uma mudança de paradigma. Em que muitos dos ( maus ) hábitos criados nas sociedades ocidentais nos ultimos 30 anos estão a ser e continuarão a ser defiitivamente abandonados, em paralelo o processo de ajustamento a uma NOVA ORDEM, com epicentro na ÁSIA, está a conduzir-nos rapidamente a niveis de vida 30 a 40% abaixo do que estávamos habituados, pelo meio muitos serão os que cairão definitiva e irreversivelmente na miséria. A esse nem o estado lhes valerá, só as hortas e as bicicletas..e quiçá talvez os burros ( mas os de 4 patas ). KEYNES não é aplicável, e terá que ser o próprio estado a "injectar inflação" na economia como forma de "consumir" os stocks de divida acumulada.. até lá, continuaremos a assistir a campanhas eleitorais totalmente desfocadas da realidade..

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  3. Concordo com o José Eduardo, quando se refere a um problema estrutural e não conjuntural. Se analisar-mos, mesmo que de forma breve, a história de Portugal desde a Rev. Industrial, constatar-se-á que este país sempre teve um problema grave em industrializar-se. Este problema deveu-se (entre outras causas) a falta de meios, vias de comunicação defecientes, falta de empreendedorismo, falta de mão de obra especializada e muitas vezes a uma classe politica e dirigente mal formada e mal intencionada.
    Hoje em dia, em pleno sec XXI, e após nos ter-mos tornado membros da U.E ( com todas as vantagens e proveitos que nos trouxe, ainda que sub-aproveitados)o nosso país continua a ter uma industria débil, pouco competitiva e incapaz de gerar empregos estáveis. A nossa classe politica erra ao tentar aplicar métodos e teorias desactualizadas, ainda que tenham dado resultado no sec. XX.
    Assim, sem uma estrutura industrial forte e competitiva, o país, não será capaz de resolver a segunda face deste "duplo problema" o desemprego. A industria é um dos pontos chaves na economia de qualquer pais, a China é um dos exemplos máximos da rápida industrialização, embora não concorde com o regime e os seus métodos, tenho de admitir que fizeram um trabalho estupendo, ainda que ás custas de direitos humanos e muita injustiça. O nosso país não pode empregar toda a população nos serviços e na agricultura, temos de ter uma boa industria, bons industriais e acima detudo boas politicas que fomentem o crescimento industrial.
    Como o CMS escreveu, e bem na minha opinião, assite-se ao erguer de uma nova ordem, como tal novas estratégias e politicas têm de se rdelineadas e aplicadas o quanto antes, sob pena de estarmos a hipotecar o futuro do nosso pais.

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