Friday, 21 August 2009
Iberia e o Status Quo de Portugal - Não fica sem resposta o repto - Salvo melhor opinião é esta a minha firme convicção
E como de políticos que prometem e não cumprem está isto cheio aqui vai a minha modesta opinião sobre o post que fiz:
Questão muito antiga esta, que sempre assombrou Portugal, mesmo antes de o ser. Situo no entanto esta questão no reinado dos Filipes de Espanha e Portugal. Nessa altura, foi pensado transferir a capital da União Ibérica para Lisboa. Se tal tivesse ido em frente estaríamos mais do que provavelmente na Iberia, coisa que seria mais do que uma região geográfica, um país. E provavelmente hoje falaríamos todos uma língua que se aproximaria muito do galego, aquele absoluto português cantado.
Tudo teria sido diferente nos países por nós e pela Espanha colonizados, e provavelmente essa língua de que falo seria hoje a língua mais importante do mundo e não o inglês.
Mas tal não aconteceu. Tudo é bem diferente.
Uma parte da Iberia, a Espanha, mantém uma cultura forte, com atitude e orgulho em tradições, na língua, na identidade e nos valores, e uma outra parte que um dia foi grande demais para a sua verdadeira dimensão vive uma frustração profunda que leva muitos a não terem orgulho de dizer "Eu sou Português". Quando vivi em Itália tive oportunidade de ver e digo, com alguma inveja, grupos de amigos Erasmus espanhóis que diziam com todo o orgulho, "Yo soi Español". Nunca vi aqui isto.
Não vejo actualmente orgulho na língua, que quanto mais viajo mais vejo que está pelas ruas da amargura, desprezada totalmente por um número relevante de povos europeus que tive oportunidade de conhecer.
Por vezes, e digo-o com franqueza, vejo nisto um sinal de país falhado. País falhado que para não dar parte fraca, muito a nível económico também, recorre ao endividamento sabendo perfeitamente que não vai poder pagar com mais do que a própria honra.
Ouvi ainda mais do que uma vez frases como "Portugal es una caca", ou mesmo que "Portugal no esiste".
Não posso assistir a isto de braços cruzados.
Gosto muito da nossa língua, tenho orgulho na audácia que tivémos e o nosso produto para o mundo que foram os descobrimentos. Mas sinto-me cada vez mais desacompanhado e por isso aqui vos deixo o apelo.
Uma certa mentalidade de esquerda anárquica, que conotaria com o bloco em maior escala, pretende que se faça tábua rasa de tudo o que de bom fizémos, e passar a mensagem de que de nada interessa a história, e que se pode construir qualquer coisa sem ter em mente nada do que foi feito nos últimos 900 anos. Para além de discordar vastamente do seu programa, excepção feita ao combate à corrupção, que não é nem nunca vai ser uma bandeira deles exclusiva, porque é o combate de todos os honestos e objectivamente progressistas, este bloco pretende que nos comparemos com aqueles países que para além de não terem tido história relevante, nunca produziram nada. Nunca ouviram vocês uma única palavra do bloco de esquerda sobre criação de novas ideias, criação de empresas ou produção de riqueza, de per si. Parece que se financiam numa carteira cheia de notas, que brotam do nada, não percebendo que afugentariam tudo o que produz de Portugal. Seria a nível económico Portugal, um cenário de terra queimada. O Problema não são os ricos. O problema é a estrangulação da classe média, aquela que deve ser tão grande quanto possível.
Hoje estamos inseridos na união europeia, projecto que pessoalmente me diz muito e ao qual estou preparado para dedicar a minha vida de trabalho, mas o que vejo é Portugal não ter a capacidade sequer para ser uma futura região num futuro Estado das Nações Europeu.
Um país não é isto.
Bem, já vai longo o manifesto, inspiremo-nos nos bons exemplos daqueles que por quase todas as razões são muito parecidos conosco. Comecemos a produzir, comecemos por mandar para o lixo a máxima que "o que é estrangeiro é que é bom", meta-mos na cabeça que o Estado são as pessoas que contribuem e que estas não devem mesmo ter a obrigação de sustentar incompetências e criminosos contra o país que estragulam as gerações vindouras sem lei que os probia de vender a honra do país (lei a qual podemos projectar e aqui deixo o repto).
Por tudo perceba-se.
Portugal tem condições hoje inspirando-se na sua história de voltar a mostrar a coragem, a atitude e a força que em tempos mostrou.
E porque um país não é isto,cabe a cada um de nós levar a cabo a frase
"Yes We Can"
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Estás um politico feito.
ReplyDeletePrimeiro ofereces o debate Portugal, Espanha versus Ibéria, e depois não dizes claramente a tua opinião.
"Como vêem uma possibilidade de união federal à Espanha sob o nome de um Estado Federal chamado Ibéria, liderado por uma personalidade à qual devam respeito o chefe de estado português e o Rei de Espanha, com a manutenção das línguas oficiais das regiões Ibéricas?"
A minha resposta é: Não.
E a tua ?
Agora respondendo a tua insinuação do Rei de Portugal e Espanha, precisas de rever as aulas de história.
Os primeiros dois Filipes ainda foram suportados, eram suficientemente Portugueses (para os da época), o Filipe III, quebrou o juramento de Tomar, e concebeu um plano para "castelhanisar" Portugal. Essa transferência de das Cortes (e não Capital) para Lisboa, era para afastar a administração autónoma Portuguesa. Estás iludido, claramente só conheces o lado romântico da história.
A revolta que nos deu a Independência começou no Porto com um motim, seguindo-se com o povo de Évora a recusar-se a obedecer aos Espanhóis até a mandar as favas um arcebispo Espanhol.
Para um povo católico desobedecer a um arcebispo, é preciso as coisas estarem muito feias. Mesmo nessa altura de luta e desespero o nosso pequeno país consegui-o manter as melhores colónias, então a ser colhidas por ingleses e holandeses. Mais uma prova que conseguimos fazer empresas quiméricas.
Sobre a união de Espanha e Portugal, acho que chega para me justificar. No papel é tudo muito bonito, mas depois é que é um problema do caraças, e para voltar a trás e recuperar autonomia, é quase impossível.
Quanto ao resto do texto, concordo em geral, acho que as tuas intenções são boas, e se um dia quiseres, tendo eu os recursos necessário consigo organizar uma equipa para revigorar os Portugueses a nível cultural, pela verdade histórica e feitos heróicos de muitos Portugueses, após isso irias ver muitos Portugueses na rua de peito inchado a dizer que têm muito orgulho em ser Português. O problema está na cultura.
Enquanto a cultura tiver nas mãos da "Esquerdalha" gente, os grandes temas culturais são sobre: droga, homossexualidade, arte que ninguém percebe, musica degradante, teatro do queixinha que não apela à intervenção construtiva e muito menos à proposta de soluções e também de luta contra o sistema (que os sustenta e do qual eles fazem parte). A restante cultura portuguesa pode resumir-se ao culto do futebol, telenovelas e revistas dos Jet set's. Sendo o objectivo de vida da nossa juventude, sair a noite para curtir, e ganhar mais dinheiro para poder ir a sítios mais caros e curtir.
Um povo com esta matiz, alienado de si próprio, não pode esperar melhor dos que o representam. Pode apenas ter Esperança que um dia alguém fure pelo sistema acima, e reponha ordem neste país.
Neste momento é necessário demonstrar que conseguimos, não basta dissermos que conseguimos, nisso, já ninguém acredita.
RCeT
E eu que pensava que o MMS, não se revia na dicotomia esquerda/direita, por ser algo completamente ultrapassado.. afinal vejo que não, que a "esquerdalha" e a "esquerda anárquica", ainda existem e pelo vistos têm força.. tanta força que merecem comentários directos neste site, que supostamente deveria representar um movimento independente dessa mentalidade.
ReplyDeleteBem desta vez sou eu que me demarco, quer do Eduardo, quer do RCeT, porque acho que o papel do Bloco de Esquerda, tem sido extremamente positivo, e só não é mais pois estou em crer que muito em breve os "tiques" de poder acabarão por os tornar refens do próprio poder...
E para não pensarem que sou de "esquerda", tambem acho que neste momento a melhor campanha; por ser a mais directa e objectiva; é claramente a do CDS-PP.
Eu mantenho-me fora desta contenda porque o meu partido é o país que eu amo, e para fazer dele um país melhor para viver, basta fazer a minha pequena parte, todos os dias.
Eu tenho orgulho de ser português e 99,99% das pessoas que conheço tambem. Comentários depreciativos acerca do meu país já ouvi praticamente em todas as linguas, com alguns fui obrigado a concordar, porque eram verdadeiros, com outros fiz ouvidos moucos, mas nenhuns me impediram de amar o meu país, ainda que saiba que há muita coisa a mudar, não renego um só epísódio da nossa história nem me escondo sob a capa de um Nacionalismo bacouco, por hoje não fazer qualquer sentido. Como diria Socrates, "Sou um cidadão do mundo.. com orgulho de ser Português.
CMS, a referência à esquerda anárquica utiliza a nomenclatura sob a qual eles próprios se rotulam. Como já tive oportunidade de dizer num outro fórum, o MMS pretende ser O BLOCO DA FRENTE.
ReplyDeleteQuanto ao orgulho em ser português em nada se confunde com nacionalismo bacoco. Não é isso que se pretende. Se acreditarem no europeísmo, mas com orgulho de se pertencer ao Estado português com todo o seu lastro-histórico cultural, e com vontade de o desenvolver aí tem o meu apoio e determinação. Houvessem mais como tu CMS e a crítica que venho fazendo provavelmente não teria aqui lugar.
Quanto à intervenção neste post do RCeT, se por acaso cometi alguma imprecisão nas referências históricas,agradeço-te a correcção.
ReplyDeleteEu RCeT, não sou do MMS.
ReplyDeleteCaro CMS, lá por ser refinado, demarcar-se da esquerda ou da direita, é necessário chamar os bois pelos nomes, e não apontar culpas e erros por ser politicamente incorrecto, é fazer o mesmo que a avestruz. Cerca de 25%, é muita gente enganada ou um grande problema.
Para ser claro eu sou crítico de todo o espectro político de Portugal com assento parlamentar. Não me revejo na mediocridade que tanto fazem por manter.
CMS, temos muito a discordar. Pois eu acho que o papel do Bloco de Esquerda tem sido muito negativo, apesar de fazer criticas importantes em relação a corrupção, nas quais eu também me revejo, o facto é que está a minar a sociedade. O Bloco de Esquerda, ainda não percebeu a complexidade da máquina que o sustenta, e como tal, em vez de a manter, concertar e melhorar, anda a alimentar lutas, que a diminuem e desconcertam, como se não bastasse favorece uma balança entre direitos e deveres desequilibrada o que ainda piora a máquina e a torna menos sustentável.
Convencer as pessoas destas falsas ilusões, não compensa as denuncias que o BE faz lá no parlamento, e que nunca dão em nada, ou seja se eles quisessem mudar alguma coisa faziam barulho em vez de ser um corno manso, como eu sou por agora.
Quanto ao Eduardo, sobre a história, não tenho mais nada a dizer, força com o O BLOCO DA FRENTE.
Mas Eduardo, continuo sem resposta ? Sim ou Não...
RCeT
Sim naquele tempo (século XVII), não no tempo actual (século XXI). A batalha é outra, é pela permanência com honra e orgulho (o que não está a acontecer) neste BLOCO DA FRENTE que tem que ser (e que também não o está a ser como podia) a União Europeia.
ReplyDeleteCaro RCet, não sabia que era "refinado" demarcar-se da esquerda ou da direita, se é, confesso que não me revejo na expressão, mas não me identifico mesmo com essa dicotomia.
ReplyDeleteAcho do mais básico bom senso, hoje não ser de esquerda nem de direita, porque há razões válidas em "ambos os lados" e " lutas perdidas" tambem. Tento estar ao lado da razão, embora saiba o quão vasta a mesma pode ser.
"Para ser claro eu sou crítico de todo o espectro político de Portugal com assento parlamentar. Não me revejo na mediocridade que tanto fazem por manter." - Já somos dois.
"CMS, temos muito a discordar" - Não me parece. Afinal aoarentemente só discordamos com o papel que o BE tem tido na nossa sociedade e o facto de eu o entender positivo, não me impede de lhe dar razão nalguns dos pontos que refere, assim como o inverso.
Fica-me a duvida sobre a que 25% é que se refere(?) pois não percebi.
O BE subiu nas ultimas eleições europeias, mas não estou certo que venha a subir de igual forma nas legislativas. Uma coisa tenho quase a certeza, os dois principais partidos irão ter menos "deputados" a comer á conta do estado, na próxima legislatura. Outra certeza que tenho é que na haverá maioria absoluta de um só partido. E depois tenho ainda uma certa sensação que a estratégia salazarista da MFL, irá render os seus frutos.. e mais não digo.
E já agora, ser de direita ou de esquerda é tão válido como não aceitar esse tipo de "estereotipo".
BE + PCP + Piquenos de esquerda = 25%
ReplyDeleteÉ válido para quem quer fazer o que está certo, sem ter de se preocupar com a definição desta ou daquela medida, se são de esquerda ou de direita. Concordo.
No plano cultural, não desarmo. A cultura, é o ambiente que nos constrói, ou destrói. Aquilo que é ensinado nas escolas e o que passa na televisão, é na maioria, uma visão que coincide com a visão do BE.
O que não acontece só por mero acaso. Admitir que este facto é assessório, é um erro que já foi cometido no passado, e Portugal quase ficou Soviético por causa disso (e como efeito colateral morreram milhares de pessoas, e arranjaram-se guerras onde existia paz), da próxima vez, encerra-se o país (com todas as suas consequências).
RCeT